segunda-feira, 27 de março de 2017

Carros Inconfundíveis - Lincoln Mark VIII

    Na década de 80 e início de 90, aparecer em qualquer evento, compromisso ou ação social em um Lincoln novo significava estar no auge - principalmente as tradicionais limousines Town Car com teto revestido em couro, iluminação lateral e a tradicional antena traseira em formato de boomerang. As linhas quadradas e fortes, com cromados em profusão pelas arestas e detalhes traduziam o luxo e a segurança financeira de quem ali andava - geralmente nos bancos traseiros. Mesmo com toda esta aura de luxo, o visual dos Lincoln sempre foi - ou melhor, em sua imensa maioria - algo extremamente pesado e conservador. Por mais que se tratasse da ostentação sobre quatro rodas, um Lincoln geralmente não era o carro mais bonito ou agradável circulando em uma via.



    Todavia, há sim um Lincoln que agrada aos olhos (pelo meno os meus e de alguns outros entusiastas mais excêntricos): o Mark VIII (aquele de 1993 a 1996, a segunda geração não).

    Como todo Lincoln, ele é exagerado. Seu conjunto óptico dianteiro é extremamente baixo, mas com a largura de meio Mini Cooper. Ele estende-se da tradicional grade cromada, imposta em meio à frente tal qual símbolo de dominância, e vai até próximo dos para-lamas. Na traseira, ela é ainda mais ousada, atravessando toda a parte posterior do carro, de um lado ao outro, enquanto o ressalto do "falso-estepe" aparece também neste modelo, mas de uma forma sutil e elegante, mais como inspiração do que como traço. Ele é baixo, largo e longo, mas muito bem distribuído, e não aparenta imediatamente seus mais de 1700kg de puro metal americano, escondidos sob um design limpo e suave.


  O motor, necessariamente, é um V8 de módicos (ha ha ha) 4.6l que rendem 280hp aplicados à transmissão automática de 4 velocidades, e a tração está nas rodas (um raiado misto e elegante, entre o esportivo e clássico)  certas. Freios à disco com ABS, ar condicionado, revestimento em couro, espelhos fotocrômicos aquecidos, barras de proteção lateral, chave com iluminação e acionamento remoto e um toca-fitas associado à uma disqueteira para 10 cds com a chancela JBL. E, acredite, isso é, basicamente, um terço da lista de itens de série e opcionais. 


    A suspensão é suave e macia - nada exagerado - apenas dá para um arquiteto finalizar seu TCC bebendo café, enquanto o motorista percorre estradas rurais a mais de 100 km/h. O painel é diferentemente curvo, percorrendo a sua frente e alongando-se até a porta e, contraditoriamente, é tão empolgante quanto um torneio de golfe. Mas tudo tão bem acabado e organizado que causaria inveja aos nossos sedans 2017.


    Como bom brasileiro, a chance de ter um deste por aqui é equivalente à de ter uma noite tórrida de peripécias sexuais com as irmãs Kardashian. Mas se você porventura algum dia estiver em solo americano, poderá encontrar um destes em ótimo estado pela impressionante cifra de U$ 2.500 a U$ 4.000 Trumps. E com uma economia em que a gasolina é comercializada em galões, o fato dele consumir um litro a cada 5km flutuados é algo desprezível.


    Com certeza, este Grand Touring Luxury Coupé é a definição que às vezes, o exagero americano pode render ótimos resultados.