terça-feira, 20 de setembro de 2016

TURBO Compressores - Quem começou ?

Muita gente acredita que a invenção e utilização do turbocompressor em automóveis de passeio é coisa do fim dos anos 80 e início dos anos 90, quando esta tecnologia passou a ser mais difundida e utilizada pelos fabricantes. Mas a história começa muito, muito antes.

Embora já houvesse antes alguns protótipos em testes fazendo uso desta tecnologia, seu lançamento oficial como tecnologia oferecida em carros de produção foi em 1962, com o Oldsmobile F-85 Jetfire e o Chevrolet Corvair Monza. Embora pertencessem ao grupo GM (General Motors), possuíam representatividade individual no mercado e disputavam compradores entre seus modelos - o que fez com que a Olds ganhasse a corrida no lançamento por apenas duas semanas.



Por fora, carros com dimensões semelhantes, carrocerias longas, largas e baixas com um design esportivo e o turbo oferecido nas versões de duas portas. Mas mecanicamente, tudo diferente.


No Olds, havia um motor V8 de 3.5l e 215 c.u. totalmente em alumínio colocado lá na frente, alimentado por um carburador "single barrel" e uma turbina Garrett T5 de diâmetro reduzido. Este conjunto proporcionava, coincidentemente, 215 hp.

No Chevy, o motor era um flat six refrigerado a ar, de 2.4l e 145 c.u. montado na traseira, assim como no Fusca. A turbina posicionada na bancada central proporcionava, inicialmente, 150 hp, posteriormente passando a 180hp, já em 64.


Se o Jetfire tinha o fator de lançamento da tecnologia, e um nome excelente para o produto, ele possuía uma característica de funcionamento que "matou" o modelo: seu turbo compressor necessitava de um líquido refrigerante, composto de água e álcool metílico chamado "Turbo Rocket Fluid", para que não houvesse batida de pino devido à carga exercida pelo turbo e pela alta compressão do motor. Caso o dono esquecesse de completar o fluído, havia uma borboleta que limitava a carga do turbo para evitar quebras. 

O problema é que os donos sempre esqueciam de completar, e quase sempre os Olds quebravam.

Assim, mesmo chegando um pouco depois, o Corvair encontrou no problema do concorrente o espaço para impor sua tecnologia, de funcionamento direto e descomplicado, consequentemente resultando em confiabilidade e pouca manutenção. 


O motor Turbo Corsa conquistou os clientes, mas esbarrou na suspensão traseira de eixo individual, que foi considerada "insegura em qualquer velocidade" pelo livro do jornalista Ralph Nader, que posteriormente matou o modelo e todo o seu potencial futuro.


Quer dizer - exceto o turbo.

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