O fim da década de 60 viu o surgimento dos mais emblemáticos muscle cars americanos, que tomavam as ruas de forma avassaladora. Potentes e rápidos, relativamente baratos e com visual agressivo e colorido, encantaram em cheio os jovens americanos - aqueles mesmos, recém saídos da era hippie, do lendário festival woodstock e do questionamento de valores sócio-morais que foi a guerra do Vietnã - que queriam viver a vida intensamente, inconsequentemente e de todas as formas possíveis.
Uma destas formas era acelerando de forma irresponsável pelas ruas, especialmente em disputas ilegais de "quarto-de-milha" nos semáforos. As apostas iam de dinheiro em espécie, tanques de gasolina e até mesmo os próprios veículos, tornando-se um poético, porém perigoso, estilo de vida para muitos. A consequência - óbvia - foi a disparada no número de acidentes, colisões e atropelamentos. Some-se a isso carros pesados, com frentes pontiagudas repletas de várias arestas, com pára-choques praticamente ineficientes e sem qualquer capacidade de absorção ou distribuição de energia. Um pesadelo para os órgãos de trânsito e para quem não estava envolvido neste modo inconsequente de vida.
Assim, logo em Abril de 1971, a Federal Vehicle Vehicle Safety Standard instaurou a FMVSS-215, "Exterior Protection" que trouxe o primeiro padrão de pára-choques a serem adotados, entrando mesmo em prática em Setembro/72. Porém, em Outubro deste mesmo ano, o Congresso americano promulgou a Lei de Informações de Veículos Motorizados e Economia de Custos (MVICS Act) que previu métodos que reduzissem o custo de implantação do novo sistema, bem como aumento dos benefícios - tal como redução do valor de seguros, por exemplo.
Conforme as regulações da NHTSA's 49, CFR Part 581, os para-choques deveriam ter sistema de absorção de impactos de até 5mph (8-9km/h) em impactos frontais e traseiros e até 2mph (3km/h) em colisões diagonais, sem que houvesse qualquer dano à sistemas de iluminação, sinalização e sistemas de combustível (Ford Pinto, anyone?). Além disso, a área de distribuição de impacto deveria compreender obrigatoriamente a faixa de 16 a 20 pol (40 a 50cm) acima do solo.
Se por um lado, os novos sistemas eram corretos e eficientes, visualmente eram terríveis e arruinaram severamente o design de muitos modelos, especialmente os esportivos europeus.
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| Chega a dar agonia... |
Válida para o ano/modelo 1973, esta condição praticamente coincidiu cronologicamente com a crise do petróleo da OPEP naquele mesmo ano, que do dia para a noite tornou impraticáveis os grandes e sedentos motores V8 de alta potência. Em uma época em que a gasolina deixou de ser um bem popular à custo de centavos, tornou-se escassa, racionada e muito mais cara do que antes. Assim, vários muscles, esportivos e até mesmo os modelos full-size foram ridiculamente estrangulados em potência para economizar alguns litros do novo "ouro líquido". Feios, pesados e asmáticos, muitos ícones automotivos sequer chegariam a ser oferecidos a partir deste ano - principalmente frente à concorrência importada.
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| Mercedes conseguiu discrição na alteração da maioria dos seus modelos |
Mortes trágicas para muitos, porém muito mais gloriosas do que a vergonhosa condição de vida que vários outros modelos encontraram dali em diante.
Para a década de 80, grande parte dos veículos americanos buscaram um visual mais genérico, em que o grande e saliente artefato fosse menos agressivo e destoante do visual. Em alguns modelos, conciliado com formas retas e angulares, e principalmente nos casos de veículos com dimensões mais generosas, tornou-se parte integrante de forma natural, sem maiores traumas estéticos.









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