Nova Iorque é emblemática. Talvez uma de suas características mais marcantes seja o mar de taxis amarelos que dominam as ruas da metrópole mundial, a qualquer hora do dia ou da noite, transportando executivos, advogados, agentes financeiros e demais personagens típicos de Manhatan. Chevrolets Caprice, Fords Crown Victoria, e sem dúvida, o mítico Checker Marathon são os mais lembrados, mesmo que não estejam mais na ativa.
Mas já houve alguns Peugeot...
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| Um Peugeot 504 ao lado de um Opel Kadett B, em Nova Iorque. Retrato da gasolina cara e escassa. |
No início da década de 70, o barril do petróleo subiu muito em todo o mundo e atingiu com força os americanos, que repentinamente começaram a se preocupar em quanto custava um galão de gasolina. Taxistas foram extremamente afetados ao verem seus lucros tornarem-se prejuízo ao manter os grandes e sedentos sedans de Detroit circulando em trânsito pesado. Mesmo como certa estabilização dos preços na metade da década, economia de combustível passou a ser uma preocupação constante. Foi a deixa para a Peugeot.
Com um mercado de carros econômicos - compactos e médios importados - fortalecido pelos japoneses, que se estabeleceram na crise do petróleo de 73, os franceses também acharam que era a hora se ganhar dinheiro na terra do Tio Sam. Em 1978 a marca do leão chegou aos EUA, emplacando 50 taxis. Apenas 3 anos depois, na metade de 1981, já eram mais de 850, de um total de 12.000.
Reconhecidos por sua economia, os 504 e posteriormente 505, eram equipados com um motor L4 a Diesel (cilindrada variava entre 1.9l, 2.1l e 2.3l) que atingiam até 26 mpg (9,2 km/l), contra os 15 mpg (5,3 km/l - na gasolina) dos sedans tradicionais, além da vantagem do Diesel ser substancialmente mais barato. Embora custassem próximo de U$ 13.000 contra uma média de U$ 8.000 dos sedans americanos, a economia de até 40% em combustível seduziu muitos taxistas, que lançaram-se a comprar o modelo.
Mas o tiro saiu pela culatra.
Segundo depoimentos de taxistas da época, os Peugeots ficaram reconhecidos por uma mecânica de manutenção muito cara e de pouca mão-de-obra especializada. Ofereciam menor espaço interno para os passageiros, fazendo com que muitos rejeitassem corridas naquele modelo, e havia os mais tradicionalistas que não queriam andar em um carro que não fosse americano (acredite). Alguns ainda afirmavam que a resistência não era a mesma dos já consagrados "tanques" americanos e teciam críticas à sua durabilidade - embora o modelo 504 seja reconhecido justamente por sua resistência. Discurso patriótico, talvez.
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| Um dos raros 505. |
Todavia, os Peugeot ainda atravessaram a década de 80 discretamente, até sumirem das frotas após a sua vida útil. Podem não ter sido os mais numerosos, mas ainda assim fizeram parte de uma época nostálgica, na maior cidade do mundo. E isso não é pouco.
http://www.nytimes.com/1981/04/12/business/other-business-taxis-in-new-york-850-peugeots.html





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