quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Sunbeam Mabley 1901 - Da época em que nem se sabia como um carro deveria ser...

Por mais que nossos carros favoritos possuam uma ou mais características que os tornem diferenciados, confiáveis, potentes ou belos - ou em raros casos a conjunção de todas estas qualidades - todos seguem uma receita básica de como um automóvel deve ser. Principalmente em uma época em que a eficiência aerodinâmica trazida dos túneis de vento, a proteção dos pedestres em situações de atropelamento e um mercado global e extremamente acirrado tornem os modelos cada vez mais parecidos uns com os outros.


Várias versões do mesmo carro. Hoje, vários carros de uma mesma versão.


Mas, por mais estranho que possa parecer, o início do automóvel em nossa sociedade pode sem dúvida ser considerada a sua fase mais criativa. Não haviam limites a serem superados ou ícones a ser copiados - as marcas lendárias que hoje conhecemos também lutavam para conseguir seu lugar ao sol. Se por um lado os homens seguiam tradições e costumes extremamente tradicionais, no ramo automotivo a loucura e a criatividade predominava. 

E talvez este modelo seja o mais representativo desta loucura toda: o Sunbeam-Mabley Motor Sociable, de 1901.



Movido por um motor mono-cilíndrico de 230 cilindradas (o que na época era até usual), atingia a razoável velocidade de 32 km/h em ruas lotadas de cavalos, carruagens e senhores de cartolas. Até aí tudo ok.

As quatro rodas raiadas estavam lá, mas não como você imagina: duas rodas no centro de cada lateral, com a roda motriz à sua frente, bem ao meio e a roda responsável pela direção, atrás, tal qual uma empilhadeira, mas controlada por meio de uma singela alavanca. Este arranjo proporcionava viagens aterrorizantes bastante emocionantes, com guinadas rápidas e instáveis para ambos os lados e em repetidas vezes alguma das rodas deixava de tocar o solo.



Se isso já fosse o suficiente para provocar vômitos incessantes causar a estranheza dos ocupantes, estes ocupavam a parte dianteira do veículo, mas posicionados lateralmente (!) em dois lugares, sempre observando a paisagem do lado esquerdo. Separados por uma divisão, no fundo ia o condutor, sentado para o lado direito (acredite) tentando visualizar o trânsito à frente entre as cartolas dos passageiros.

Pense fazer uma baliza...


Por mais impraticável que fosse, várias unidades foram comercializadas, sendo que uma destas ainda circula e foi leiloada há alguns anos por mais de 65 mil Libras (algo em torno de R$ 200 mil).  É o preço da história e da exclusividade.



Eu passo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário