Início da década de 80. A Isuzu estava prestes a aposentar o elegante coupé 117, que vinha em linha desde 68 e já estava superado. Como sempre, a marca nipônica buscava um design matador e inovador, e para isso contratou as mãos do consagrado Giorgetto Giugiaro, do estúdio Italdesign, para criar um conceito moderno e dinâmico, próprio para a nova década que se iniciava.
Porém, se por um lado a Isuzu apostava na inovação, na parte mecânica ela resolveu utilizar-se da consagrada plataforma "T" da General Motors - motor dianteiro, caixa de câmbio semi-central e tração traseira. Esta configuração que havia sido comercializada durante muitos anos em vários países era idêntica à que se encontrava em nosso Chevrolet Chevette (lá Isuzu Gemini), e que agora necessitaria se tornar um verdadeiro esportivo.
Apresentado em 79 no Salão de Genebra, conquistou o público, e entrou em produção logo em 1980, surpreendendo à todos. Seu design era moderno, repleto de linhas longas e retas, trazendo uma sensação de velocidade e esportividade. Na frente, uma silhueta baixa com faróis escamoteáveis o tornavam agressivo mas elegante. Na lateral, um friso incorporava a divisão do capô frontal, enquanto as portas terminavam na linha divisória com o teto. Pára-brisa e tampa traseiras bastante inclinados melhoravam o coeficiente aerodinâmico enquanto moldavam uma característica esportiva. Tudo isso, basicamente, em cima de um Chevette.
Quanto à motorização, adotou-se os L4, tanto o 2.0l Isuzu de comando simples (que vinha do 117) e 120cv e o de comando duplo e 135cv, sempre com a moderna injeção multiponto. A caixa podia ser manual de 5m ou automática de 4m, freio à disco nas quatros rodas e - óbvio- a consagrada tração traseira (aqui sem milagres, com eixo rígido). No interior, ar-condicionado, trio elétrico, direção hidráulica, bancos traseiros com regulagem e comandos satélites no painel, para que o motorista fizesse o menor movimento possível para acioná-los.
Se já parecia bom, em 85 surge a versão 2.0l turbo com 180cv para o mercado japonês e em 88 uma versão 2.3l de 110cv, de menor potência mas com maior torque, conforme o mercado americano exigia. A suspensão era totalmente calibrada pela Lotus (também do grupo GM), e equiparia o Lotus Elan logo em seguida.
Esta versão manteve-se até 89 no mercado americano e até 91 no mercado japonês, quando foi substituída por uma versão mais moderna e compacta, mas com tração dianteira e uma dirigibilidade muito mais comum, que tornou o modelo menos interessante e apagou o brilho conquistado na "década perdida".
Atualmente, é um verdadeiro clássico e extremamente valorizado - seja no Japão ou Europa como Isuzu Piazza, na Austrália como Holden Piazza ou nos EUA como Isuzu Impulse.








Muito bacana. Era, de fato Guilherme, um chassi de Chevette em sua totalidade?
ResponderExcluirObrigado pela participação Lucas. Trata-se sim da plataforma do Isuzu Gemini de primeira geração (Chevette) com alterações de tensão e carga de molas e amortecedores, redimensionamento de barras estabilizadoras (note que até o tubo de torque que faz o Chevette "levantar" a traseira nas arrancadas esta aí) voltado à um uso mais esportivo.
ResponderExcluirSegue especificação básica (em inglês - www.isuzuperformance.com.br) da plataforma - note que se trata da mesma do Chevette:
Dimensions
Wheelbase
96.1 in / 2438 mm
Track
Front
53.4 in / 1356 mm
Rear
53.7 in / 1369 mm
Length
172.6 in / 4385 mm
Width
65.2 in / 1656 mm
Height
51.4 in / 1306 mm
Chassis
Suspension
Front
Independent, unequal-length A-arms, coil springs, hydraulic tube shock absorbers, anti-roll bar
Rear
Three link, live axle, torque tube, trailing arm, panhard rod, coil springs, hydraulic tube shock absorbers, anti-roll bar
Steering
Type
Rack and pinion, power assist
Driveline
Transmission Type
5-speed Manual
Gear Ratios
First
3.785
Second
2.165
Third
1.413
Fourth
1.000
Fifth
0.787
Axle Ratio
Final Drive Ratio
3.909
Note que até a relação do diferencial é a mesma do nosso mais moderno.