Toda fabricante automotiva já teve a sua melhor época - e considerando a atual situação do mercado automotivo, em uma geração que cada vez menos entende e gosta de carros, esta geralmente ficou lá atrás. Nesta semana, em que a compra da Opel pelo Grupo PSA (Peugeot + Citroen) foi pauta do mercado europeu, resolvemos relembrar o que pra nós, foi a época de ouro da fabricante fundada por Adam Opel.
Quando se considera a Chevrolet brasileira até meados dos anos 2000, não é nenhum exagero dizer que quase todos os modelos desta (exceto utilitários) eram modelos Opel com pequenas modificações estéticas ou mecânicas para atender o mercado nacional - algo que fizeram muito bem, pois foram em sua maioria sucesso de vendas e público.
Em 1970 a Opel já tinha uma base consolidada de modelos, mas o que chamava a atenção mesmo era o Opel GT, lançado dois anos antes. Um esportivo "superleve" construído sobre a plataforma e conjunto mecânico do Kadett B com algumas melhorias voltadas ao desempenho e esportividade. O desenho tinha nítida inspiração no Corvette americano com soluções mais "européias". Era diferente do que existia no mercado local e trazia soluções inovadoras e práticas, como o sistema de acionamento dos faróis, que ao invés de serem os escamoteáveis tradicionais, apresentavam acionamento por rotação em eixo.
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| Sim, alguém imaginou isso já na década de 60. E aplicou no GT, em 1968. |
Todavia, não eram todos que podiam se dar ao luxo de andar em um esportivo de dois lugares. O público tradicional era a sua maioria e dependia de um modelo com capacidade para 4 ocupantes com conforto, desempenho eficiente e até esportivo, mas de forma mais racional. Modelos para esta faixa não faltavam, mas eram em grande parte sem graça, discretos e sem nenhum diferencial. Porém, havia o Opel Manta, um cupê com desenho agressivo mas equilibrado, linhas suaves e limpas, econômico e de bom desempenho e ainda com todas as características acima. Para os mais empolgados havia o GT/E e ainda versões especiais de preparadoras, como o Black Magic e o TE2800 (capaz de competir com os contemporâneos Porsche 911 Carrera e a BMW 2002 Turbo em mesmo nível).
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| As lanternas traseiras do Manta A foram inspiração para o nosso Opala, em 1975. |
Havia um público cativo de modelos maiores, com capacidade para até 5 ocupantes com pleno conforto e espaço, conjunto mecânico suave e potente destinado especialmente para longas viagens nas Autobahn alemãs. Nessa categoria a Opel oferecia o Rekord D como modelo mais acessível e discreto nas versões sedan 2p e 4p e Caravan, enquanto o Commodore trazia a esportividade do coupé e os requintes estéticos destinados à este público. Esta foi a versão posterior ao equivalente do nosso primeiro Opala por lá (que seguiam os nomes acima, claro), mas que nunca tivemos por aqui. Foi uma geração em que a sensualidade das linhas curvas da geração anterior cedeu aos apelos tecnológicos e a agressividade de linhas mais retas e dinâmicas, focado mais na modernidade e trazendo um apelo futurístico (considere que este modelo surgiu em 1972!)
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| As rodas "gamma" dos nossos Opalas, também eram comuns por lá. |
Ao público extremamente seleto e endinheirado, havia o Diplomat, uma grande plataforma dotada de um V8 5.4l incomum para os padrões europeus, transmissão automática em sua maioria, tração traseira e um rodar nas nuvens. Trazia linhas mais conservadoras e discretas mas um luxo comparável às Mercedes-Benz e BMW, porém nunca se equiparou em vendas com estas. Justamente pelo fato da Opel trazer a imagem de automóveis acessíveis destinados às massas e pela imagem do próprio modelo: discreta demais frente à esportividade e sensualidade das BMW e popular demais frente ao garbo e elegância das Mercedes Benz.
Em Agosto de 1973, em um novo e grande passo, a Opel lança ao mercado europeu a primeira plataforma global da GM, a T-909, com o lançamento do Kadett C (nosso primeiro Chevette, que curiosamente foi lançada aqui no Brasil 6 meses antes, em Março). Foi bastante elogiado pelas linhas modernas e limpas, a ótima dirigibilidade, robustez, confiabilidade e leveza, mesmo em um produto popular. Oferecido em versões Berlina (sedan 2p e 4p), City (hatch) e Caravan atendia as inúmeras demandas e foi sucesso de mercado em vários países e nas pistas com a versão esportiva GT/E, exclusiva dos coupés, sempre em cores chamativas (preto e amarelo na primeira versão, e depois amarelo e branco). Atingiu mercados em praticamente todos os continentes, em dezenas de países, com números na escala dos milhões de unidades.
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| Tirando os emblemas, nada mais é do que um Chevette. (que até 77 não tem logotipos Chevrolet). |
A Opel avançava em vendas e via seu portfólio moderno e competitivo, com exceção do Ascona, que ainda trazia linhas da década de 60 que já não seduziam mais, mesmo para os fans do modelo. Então para o final de 74, início de 75, o Ascona chega em uma nova geração extremamente moderno e revitalizado, sem qualquer ligação com a anterior, em um design jovial e muito à frente de seu tempo. Leve, extremamente bem acertado dinamicamente e dotado de tração traseira, trazia um equilíbrio excelente na condução. Na Europa, esta versão predecessora do nosso Monza é considerada a melhor que já houve deste modelo e formou uma legião de fans - infelizmente, a GM acreditou que não havia mercado para ele aqui, na época.
Em 1976, a Opel lançou a segunda geração do Manta, com um conjunto mecânico eficiente e moderno, mas com um design controverso que em nada lembrava o mítico modelo anterior. O GT já não existia desde 74 e a marca perdeu muito de sua admiração e público. Os anos posteriores vieram para ver gerações sem apelo esportivo ou estético do Rekord, Commodore e Diplomat, e gerações compactas e mais civilizadas com tração dianteira e motores transversais nos Kadett D e Ascona. Eram os novos tempos, mas que nunca mais seriam os mesmos para a Opel - e para grande parte dos entusiastas dos modelos europeus.


















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