2 - Criou, fabricou e vendeu o que o público local queria.
Todos sabemos que no início o automóvel era um bem caro (aqui no Brasil até hoje é...), raro e quase artesanal, com tempo e custos de produção bastante altos. Cada modelo possuía as suas particularidades e características, e buscando diferenciar-se num mercado em que novas marcas efervesciam quase que diariamente, era comum as fabricantes construírem carros com características individuais voltadas ao comprador - combinações de acabamentos e tonalidades de painel e estofamentos, de cores na carroceria, calotas ou rodas e até mesmo de motorização e câmbio.
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| Delahaye 235 |
Ocorrre que com o passar dos anos, o mercado impiedoso nivelou tudo por cima e pequenas e dedicadas empresas foram perdendo espaço para as grandes, (administradas eficazmente por nomes como Willian DuPont, Walter Chrysler, Henry Ford...), fechando ou em grande parte sendo absorvidas por grupos maiores, com várias marcas, mas de administrao centralizada. Esta nova forma de negócio, aliada ao início da globalização automotiva demandou a redução de custos
produtivos em cadeia. A necessidade de abrangência de vários mercados pelas
montadoras por um mesmo modelo começou a mostrar-se fundamental - o que fez com que muitos carros fossem vendidos em
todo o mundo de forma genérica, sem conquistar - ou até mesmo atender - o público local.
Lá do outro lado do
mundo, todavia, motorização, conjunto mecânico, acabamento interno e até mesmo
versões exclusivas foram criadas para o gosto australiano. Já em 1948 a Holden começara a oferecer o seu primeiro modelo desenvolvido para o mercado local, sobre um projeto GM para o pós-guerra, deixando de lado os modelos de outros mercados produzidos até então.
Preocupada em atender a todos os púbicos, possuía desde modelos de entrada standard de baixo custo (como os 48-215) até modelos inspirados na profusão de cores e cromos característicos dos carros americanos (mas em dimensões externas menores, no caso o 50-2106). Isso fez com que a Holden dominasse o mercado local na década de 50, oferecendo modelos de qualidade e adequados à realidade local, e fazendo com que a Ford, já defasada, trouxesse com urgência o Falcon americano em 1961 - mas que sem a devida tropicalização (se é que podemos usar este termo) de início não aguentou as condições locais por conta de sua suspensão dianteira.
Modelos e versões foram ficando cada vez mais "aussies" com o passar da década de 60 e entrada dos anos 70, adotando características e configurações fundamentais ao mercado local, como a motorização baseada em grandes e fortes motores V8 para modelos maiores e de luxo, cores extravagantes e faixas inclusive para sedans, e acessórios de vários tipos.
Talvez o maior exemplo desta formação de um gosto local sejam as
famosas UTEs.
Picapes em estrutura única (sem divisão cabine/caçamba) monobloco, com
amplo espaço interno e boa capacidade de carga, conforto de sedan com design e esportividade de coupé - uma configuração que surgiu lá na década de 30, da singela necessidade de um veículo que pudesse ir à missa ao domingo e trabalhar na semana, mas que criou base para modelos icônicos do outro lado do mundo, como a Chevrolet El Camino e a Ford Ranchero.









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