Ontem, no post sobre o fodástico Buick GNX, um comentário do amigo Rafael Lopes me chamou a atenção: "tenho um projeto de fazer um Del Rey neste estilo, acho que ficaria foda muito bom"...
Refletindo um pouco sobre esse carro, um tanto esquecido no nosso mercado de usados, comecei a encontrar vários pontos positivos que me fizeram repensar sobre ele, e o seu potencial para uma base bastante ampla de projetos e modificações. Na minha opinião, por que eu teria um:
1 - Possui acabamento e conforto ímpar.
Só quem andou em um Del Rey sabe o que estou dizendo. Mesmo com dimensões bem menores, a maciez da suspensão algumas vezes lembra vagamente o "velejar" de um Galaxie ou Landau, mas sem tanta oscilação. Os bancos em veludo são muito confortáveis, amplos, e te acomodam de maneira aconchegante, independente do seu tipo físico. Também considero que a sua ergonomia atende muito bem, com um painel completo e preciso e os controles bem ao alcance das mãos.
2 - Você pode escolher a opção "econômica"...
Nos primeiros anos, o Del Rey compartilhou o powertrain do Corcel II (na verdade quase o carro inteiro), o mítico 4 cilindros derivado da Renault (motor Sierra, 5 mancais), posteriormente aprimorado e chamado de CHT (Compound High Turbulence), que proporcionava alta turbulência da mistura e consequentemente redução no consumo, motor que passou a equipá-lo em 1984. Este motor é notadamente reconhecido por seu funcionamento suave e econômico - 0 1.6l chega a fazer na cidade, segundo alguns proprietários, 7,5km/l no alcool e beliscar os 10km/l na gasolina.
3 - Você pode escolher a opção "sleeper".
Nos últimos anos, já em sua fase de Autolatina, o Del Rey passou a receber o mítico, foda, extraordinário eficiente motor AP (alta performance) 1.8l e 93cv, de origem Volkswagen aliado à uma caixa de nova relação, o que melhorou significativamente seu tempo de aceleração (no 0-100 km/h de 19s para 16,5s) e pouco na velocidade final (146 km/h para 151 km/h) - mas que inegavelmente aumentou o seu consumo. Porém, se falando de AP, o importante é frisar a infinidade de modificações e projetos eficientes, simples e baratos que podem ser montados neste conjunto. Tem dúvidas? Procure no YT a "Belina do capeta"...
4 - Você pode ajudar a "salvar as peruas".
Derivada diretamente da Belina II, a Del Rey Scala mantinha a mesma robustez, espaço e dimensões de sua antecessora, porém ampliando o conforto e a gama de acessórios, além de um acabamento mais refinado. Seu estilo também remetia ao luxo, especialmente na primeira versão, com suas rodas diamantadas, grade frontal filetada e diversos frisos cromados.
5 - É uma das plataformas mais robustas que já passaram por aqui.
Pergunte para qualquer pedreiro, calheiro, marceneiro proprietário a principal qualidade de sua Belina, Corcel ou Del Rey e provavelmente a sua resposta será a de que "não acaba nunca". Poucos modelos e versões suportam rotinas diárias de trabalho pesado com tamanha robustez, baixa manutenção e sem apresentar sinais maiores de desgaste ou danos estruturais. Essa qualidade selou o grande legado da picape Pampa, derivada da família com caçamba longa e feixe de molas na traseira, e que deixou órfãos uma série de clientes quando saiu de linha em 1997.
6 - Ainda é relativamente acessível.
A injustiça de ter sido esquecido pelo mercado de usados durante muito tempo tornou-se um grande trunfo: ainda é possível encontrar veículos bons por preços bastante acessíveis, e que até dias atrás eram uma verdadeira pechincha. O estigma de "carro de velho" também ajudou a manter o modelo longe das mãos dos "chora-boy-fixa", preservando a maioria de seus exemplares íntegros e em boas condições. Se você tiver tempo e disposição, recomendo a procura por modelos pertencentes a aposentados ou pessoas de mais idade, que ainda possuem os seus em estado de zero, algumas vezes ainda como o único dono. Mas fuja dos especuladores.
7 - Diversidade de versões.
Foi oferecido em versões sedan de 2 portas (cada uma com 2 metros de comprimento), 4 portas ou ainda na versão SW, a Scala, em diversas versões de acabamento. Além dos motores CHT 1.6l e AP 1.8l, haviam também câmbios de 4 ou 5 marchas manuais ou ainda o raro 3 marchas automático. E ainda duas gerações: a primeira e clássica com frente inclinada e grades filetadas (bastante elegante, mas muito rara atualmente) ou a segunda e mais aerodinâmica, com frente em perfil de cunha e perfil mais moderno. Se você tiver dinheiro e tempo sobrando pode até procurar um raríssimo conversível, feito sob encomenda na década de 80.
8 - Um carro completo.
O Del Rey em sua versão mais completa vinha com travas, vidros e retrovisores elétricos, farol de neblina, rodas de liga leve aro 14, bancos em veludo, direção hidráulica, ar condicionado, luz de mapas no teto para motorista e passageiro e cortesia na soleira das portas, vidro lateral traseiro basculante, desembaçador, toca fitas estéreo, descansa braço central no banco traseiro e o emblemático relógio digital central, no teto. Pra mim, pelo menos, não falta nada.
9 - Permite trocar o estepe em tempo recorde.
Herança da plataforma Renault, o Del Rey também vinha com furação tripla, o que teoricamente, reduz o tempo de troca do estepe em 25% (piada infame). Mas isso é um pesadelo na hora de procurar rodas esportivas ou de aros maiores, quase inexistentes nesta furação. Os recursos são procurar raros modelos "aftermarket" da época, adaptadores de furação (mas que aumentam a bitola do carro) ou ainda adaptações baseadas no conjunto do Escort .
10 - Tem um estilo próprio.
O design inspirado no Ford Granada, mas com pequenos toques americanizados, resultou em um carro elegante, de linhas retas e limpas, que inspiram luxo e requinte com personalidade própria da década de 80. Assim, mesmo todo original, é um carro que atrai olhares e admiração no trânsito. Ou pode ainda ser a base de projetos inusitados com "stances" diversos. Talvez até um "Del Rey GNX" como já falaram. Por que não?
Bonus: Função Dog Travel.
Permite ao seu animal de estimação viajar com conforto em espaço e janela própria, isolado do ambiente interno. Se treinado, serve como sensor de ré... Coisas aqui da Russia Brasileira.







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