Todo carro possui uma ou mais características (ou em alguns casos, a falta delas) que o tornam exclusivo ou, ao menos, buscam atrair possíveis compradores. Grades cromadas, faróis com design marcante, lanternas com acendimento diferenciado, rodas que denotam esportividade e ainda outros traços estilísticos costumam marcar um modelo no panteão automobilístico.
Porém, em uma era em que sistemas multimídias e enfeites de painel em "black piano" são mais importantes do que o conjunto motriz ou a própria qualidade construtiva do veículo, as características estéticas cada vez mais perdem-se em prol de uma padronização de linhas e um design generalizado que busca atender - mesmo que parcialmente - uma faixa maior de compradores...
Mas saiba que, em outras épocas, até mesmo o formato dos pára-lamas constituía-se um diferencial estético, estilístico e até mesmo funcional em alguns modelos. Diferentemente dos padrões circulares ou quadrados-redondos atuais, os clássicos abaixo possuíam para-lamas com traços que os tornavam especiais:
Talbot Lago T150SS 1937
Em uma época em que a maioria dos carros esportivos eram semelhantes a um Ford Model A baixo e com o teto cortado, o Talbot era inimaginável, indescritível em palavras. Trazia para-brisa inclinado, baixo coeficiente aerodinâmico, faróis acoplados à carroceria e para-lamas fluídos que acompanhavam a silhueta do carro - o dianteiro terminando no início do traseiro, formando um desenho harmonioso e anacrônico - uma obra-de-arte para milionários, em qualquer época.
Delahaye 165 Cabriolet 1939
Sinônimo do topo da pirâmide automotiva na época, sempre foram modelos exclusivos ao máximo - e cobravam caro por isso. Esse cabriolet trazia um para-brisa mínimo, e para-lamas inteiramente fechados escondendo totalmente as rodas, com destaque para os ornamentos cromados fixados na parte inferior. Assim, quando circulava em altas velocidades, o modelo trazia um efeito surpreendente, parecendo flutuar sobre as belas estradas européias.
Nash Ambassador Airflyte 1949
A corrida aerodinâmica no mundo automotivo acelerou na década de 40, com a adoção em larga escala dos túneis de vento para reduzir o arrasto aerodinâmico que sofriam os modelos da época. Se o precursor foi o controverso Chrysler Airflow, a Nash foi quem mais se dedicou à causa, oferecendo modelos com design limpo, livres de arestas, semelhantes à gotas. Seu maior diferencial porém, eram as rodas, todas cobertas e em todos os modelos, do pequeno Metropolitan, ao grande Ambassador (que chegava a formar uma cama de casal em seu interior). Problema mesmo era o diâmetro de giro reduzidíssimo pelas rodas que pouco esterçavam.
Alfa Romeo 1900 C52 - Disco Volante 1952
Se durante muito tempo as rodas expostas sem qualquer cobertura inspiravam velocidade e esportividade, a fábrica italiana quebrou radicalmente esta tradição com esta excêntrica criação esportiva em associação com a tradicional Carrozzeria Touring. Mais do que uma motorização eficiente, seu trunfo estava no desenho de baixíssimo arrasto aerodinâmico, com um para-brisa pequeno curvado e uma linha de corte que cobria parcialmente as quatro rodas, promovendo um perfil baixo, largo e arredondado, justo ao nome.
Lotus Elite 1954
Como todo bom Lotus, era leve, ágil e de condução extremamente prazerosa. Seu design aliava excelente aerodinâmica com um desenho fluído, repleto de linhas limpas e curvas em toda a sua extensão. Tudo parecia dialogar perfeitamente entre si até que, no para-lamas traseiro, surge uma abertura em recorte quase quadrado, que parece destoar da carroceria, difícil de se acostumar. Porém, após olhar algumas vezes, dá pra entender que ele não está ali à toa - talvez seja sua característica mais marcante. Da versão Elite S2 não vale a pena falar, pelo menos por enquanto.
Ferrari 250 Testa Rossa Coupé 1958
Ferraris são icônicas, mas algumas, são obras divinas. Esta 250TR traz para-lamas dianteiros que iniciam contornando suavemente as rodas e estendem-se retos e fluídos até alcançar o habitáculo, formando um túnel aerodinâmico que promove o fluxo de ar para resfriar os freios dianteiros, e de onde saem agressivamente os canos de escapamento que estendem-se rasteiros até a traseira. Esta versão coupé é tão bela que é uma afronta pensar que por se tratar de um esportivo, passava tão rápido nas retas dos circuitos que muitas vezes não dava tempo dos pobres mortais observar tamanha beleza.
Plymouth Savoy/Fury 1960
Muitas vezes o preço da exclusividade se torna caro demais a pagar. Se em 54 o Savoy surgiu discreto e elegante, em 1960 alguém teve a péssima idéia de trazer ao modelo a moda das gigantescas barbatanas, aliadas à uma frente controversa em que os para-lamas dianteiros subiam agressivamente para a frente passando por cima dos faróis, até a parte central da grade, onde vergonhosamente encontrava-se o letreiro da marca. Para piorar um pouco, esta área podia ser pintada de outra cor dando um contraste ainda maior. Curiosamente (!?), esta versão durou apenas dois anos.
Buick Special 1961
Surgido como um modelo de luxo grande e pesado na década de 30, ele ressurge muito mais simples, leve e em dimensões menores e mais racionais em 1961. Com um design agressivo e baixo, trazia uma faixa de relevo que iniciava em forma de seta na parte frontal e estendia-se por toda a lateral, sendo que sua parte inferior trazia os recortes dos para-lamas traseiros e terminava fluída em junção ao para-choque traseiro. Em algumas versões era pintada em uma tonalidade mais suave, que caíam muito bem ao modelo.
Lamborghini Countach 1975
Não há como se enquadrar na categoria "gearhead" sem conhecer o Lamborghini Countach. Também seria cansativo descrever neste momento todas as suas características exclusivas ou o que o torna um super carro. Porém, em se tratando do design, além do perfil em cunha um ponto que chama a atenção são os para-lamas traseiros, que possuem um recorte único, com um traço semi-reto diagonal ascendente. Difícil de descrever, mas fácil de identificar. A segunda versão deixa esta característica menos evidente, porém acrescenta bordas alargadas que deixam o modelo ainda mais anabolizado. Um sonho da década de 80.
Fiat Coupé 1994
Excêntrico desde o início, trata-se de um Fiat desenhado por Chris Bangle (terror dos puristas bmw) em conjunto com o centro Stilo da própria montadora, mas que foi montado pela Pininfarina, que teve seu projeto recusado. Acredite. Divisor de opiniões, seu design mesclava formas musculosas com recortes angulares e diagonais em toda a carroceria. Inclusive nos para-lamas, que possuíam os quatro um recorte diagonal reto ascendente com um vinco em relevo em sua terminação.
Lancia Y 1995
O pequeno Lancia, que compartilha a mesma plataforma do nosso robusto Palio, apresenta um design marcante, ou seja, ame ou odeie. Compacto e com ampla área envidraçada, porém com conjuntos ópticos pequenos, possui uma característica peculiar: uma linha que recorta o veículo em toda a sua extensão, como friso que passa pelos para-choques e laterais, e sob o qual os para-lamas que sobem em semi-arco terminam de forma quase reta.
Em breve, lembraremos dos nacionais também...











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