sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Buick GNX - O vilão que chutou a bunda dos mocinhos na década de 80...

A década de 80 foi emblemática. Para alguns, fracos de criatividade e imaginação, foi uma década perdida (em matéria automotiva aqui no Brasil ela foi fraca mesmo, devido à reserva de mercado). Mas para o cenário automotivo global ela produziu alguns dos mais emblemáticos supercarros e esportivos que já rodaram neste planeta. Boa parte deles  ilustravam os pôsteres colados em nosso quarto, ao lado daqueles tradicionais da Playboy...

Em 1987, a Ferrari tinha a mítica e rude F40. A Porsche tinha o ultra-tecnológico 959. A Lamborghini tinha o excêntrico, emblemático e repleto de testosterona - Countach 5000. A Chevrolet tinha o seu velho Corvette, um clássico de fibra (trocadilho infame). 

A Buick tinha o Regal GNX.




Diferente dos esportivos baixos e largos, com a agressiva frente em cunha e cores vivas e vibrantes, o Buick era de uma sobriedade maligna, uma discrição praticamente letal escondida por linhas quadradas (e até comuns) que compunham um sedan de 2 portas - sempre inteiramente preto.



Se desde 1982 a Buick vinha experimentando versões "esportivas" sobre o Regal, chamando-o de Grand National, o ápice veio realmente em 1987. Equipado com um motor V6 3.8l injetado, sobre-alimentado por uma turbina especial Garret T3, conexões e dutos em cerâmica e alumínio (batizados de cermatel)  ligadas ao intercooler de dimensões específicas e escapamentos duplos de baixa restrição que se estendiam até a traseira. A caixa de câmbio Turbo-Hydramatic 200-R4 toda reconfigurada, contando inclusive com conversor de torque específico e sistema de resfriamento, era responsável por mandar todo o torque para a tração traseira e nas  largas rodas raiadas de 16 polegadas, calçadas com robustos pneus Goodyear.



E qual o potencial dele?

Bem, devemos dizer que ele era muito foda a Chevrolet o vendia com números de potência e torque reduzidos e os de performance - o famoso 0 a 60 mph (lá é 0 a 96 km/h, em conversão) mais alto que o verdadeiro, para que as vendas do seu primo rico em fibra - o Corvette - não fossem por água abaixo. Seria impensável ter um sedan mais potente que o seu esportivo top de linha, já que o Camaro V8 ele comia no café da manhã.

Acontece que como não se vive de números de montadoras (vide Caoa), testes e mais testes começaram a ocorrer por várias publicações e viu-se que o modelo fazia o quarto de milha muito abaixo do declarado pela GM e o seu tempo de 0-60 mph era meio segundo mais baixo na prática. São números muito bons hoje, e impressionantes para à época. 




Mas talvez a melhor forma de demonstrar isso seja nesta comparação...


Ferrari F40:

Motor central traseiro, tt, V8 2.9l twin-turbo, 471hp, 5 marchas, manual.
0 - 96km/h: 4.2s (Car and Driver) 


Porsche 959:

Motor traseiro, awd, Flat-6 2.8l twin-turbo, 444hp, 6 marchas, manual
0 - 96km/h: 3.7s (AMS)







Buick GNX:

Motor dianteiro, tt, V6 3.6l turbo, 276hp, 4 marchas, auto
0 - 96km/h: 4.6s  



Porsche 959 e Ferrari F40 foram os carros mais velozes do mundo em 1986 e 1987, respectivamente.

Um comentário:

  1. desconfio q tivemos esse 3.8 litros aqui no Brasil no corpo dos primeiros Omegas Australianos que chegaram por aqui no final dos anos 90

    ResponderExcluir